O SOLDADO NOBRE

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Em 2018 passam 100 anos sobre o final da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), altura em que começou o processo de desmobilização das tropas Portuguesas espalhadas pela Flandres e França, quase dois anos depois de terem chegado.

Esta estadia foi fixada numa fotografia de grupo, onde estão os membros do corpo expedicionário oriundos da aldeia de Alfaiates, concelho do Sabugal, Distrito da Guarda, pertencentes ao Regimento de Infantaria 12, que integraria a 1ª Divisão de combate em França. Nela figura o meu bisavô, o primeiro cabo granadeiro Francisco Nobre. No entanto, há muito tempo que os descendentes directos ou pessoas que com ele privaram morreram. Já não há ninguém vivo que consiga identificá-lo na imagem. Assim, como saber qual destes soldados é o meu bisavô? A partir desta busca, e utilizando esta ideia da aldeia como microcosmos que é representativo de todas as aldeias do país, o filme Retrato de um Soldado [ou outro título que se decida] procura saber mais sobre estes soldados e sobre o soldado português na Grande Guerra: perceber quem foram, e de que forma viveram os intermináveis meses e anos sem rendição na linha da frente, até à morte, doença ou desmobilização.

Simultaneamente, o filme questiona o papel da imagem como representação, o que sobra da imagem destes soldados, para que serviram estas imagens, e o que a imagem nos diz sobre eles; o papel da imagem como documentação, o quanto que uma imagem nos diz sobre uma época e sobre um momento da História; e por fim, o papel da imagem como transmissora de memória, o que é que as pessoas à volta desta imagem que ainda estão vivas - netos, bisnetos, vizinhos, habitantes da aldeia - ainda conseguem dizer sobre ela, que no futuro, ninguém conseguirá.

Ficha técnica:
Realização/imagem/edição/guião: Jorge Vaz Gomes
Som: Jorge Cabanelas Pereira
Produção: KINTOP

 
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